"Demorei-me a contemplá-las, sob aquele céu clemente, a ver as borboletas esvoaçando por entre urze e as compânulas, a ouvir a brisa suave soprando através da relva e a pensar como poderia alguém imaginar, sequer, sonos agitados sobre aquela terra."
Emily Brontë

29 de junho de 2013

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Num misto de saudade e tristeza, voltei à casa rodeada de longos campos. A minha curiosidade moveu-me, e acabou por me vencer. Os fragmentos dos momentos que ali passara habitavam agora na minha memória,
e entraram pela porta da tristeza. 
  Passara apenas um ano, e mesmo assim, o meu coração sentia-se de um modo totalmente diferente, e na minha mente, os pensamentos que dantes me cobriam, dispersaram-se e não voltaram, sem que eu me apercebesse.
  O lugar estava igual, no ar ouvia até as conversas trocadas e os sorrisos que estendemos naqueles dias, como se tivessem sido ditas há pouco.
  Reparei nas flores, nas cores vivas, e no frio que avermelhava a minha cara.
  Os caminhos pelos trigais estavam intactos, tal qual como os haviamos deixado.
  Senti-me a desfalecer ao reparar no pedaço tão grande que faltava na minha alegria.
  A flauta ao longe tocava sem cessar, sem falhar uma nota sequer. 
  Subitamente, senti uma presença que me trouxe um odor característico. Voltei-me, mas não estava ninguém. Ouvi uma voz doce e meiga a aconhegar-me e a afagar-me dizendo que tudo estava tão bem como dantes, até eu. Vi o pastor, a tocar a sua flauta, bem afastado. Passavam os meses, os anos, as épocas de frio, de calor, as minhas alegrias e melancolias, e o pastor ali continuava, apresentando uma grande fidelidade à sua forma de viver, e com um sorriso sacudia o polén do chapéu. 
  Começou a chover, e eu permaneci no mesmo sítio, enquanto a voz me trazia um grande chapéu de chuva, e me abrigava. Dei-lhe a mão, e ficámos, até a chuva parar.
  Olhei para o céu. Azul, sem nuvens, sempre calmo, sempre sereno. Por detrás das tempestades, sempre claro.
  Assim como eu seria, enquanto quisesse.

3 comentários:

  1. Também gosto imenso dos livros dele

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  2. Que lindo! gosto de imaginar tudo como se eu pudesse tocá-lo, entrar na casa e sentir o frio saindo pela janela e o odor das flores. Adorei :)

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